Por Paulo Maier | paulomaier.com


Essa é uma das perguntas que mais recebo. E vou te dar uma resposta honesta — não um discurso de vendas.

Investir em imóvel a preço de custo vale a pena. Mas não para todo mundo, não em qualquer momento e não em qualquer projeto. Existem condições, riscos reais e um perfil de investidor que se encaixa melhor nesse modelo do que outros.

Neste artigo vou te contar o que aprendi depois de estruturar e administrar mais de R$ 500 milhões em empreendimentos no modelo SPE — Sociedade de Propósito Específico — em Florianópolis e região.

Sem romantismo. Só o que é real.


O que significa investir a preço de custo

Antes de responder se vale a pena, preciso garantir que estamos falando da mesma coisa.

Investir a preço de custo significa entrar em um empreendimento imobiliário pagando apenas o custo real da construção — sem a margem de lucro da incorporadora embutida no preço. Em vez de comprar um apartamento pronto, você entra como sócio de uma SPE e financia a obra junto com outros investidores.

Quando a construção termina, você recebe a sua unidade. O valor de mercado desse imóvel pronto é significativamente maior do que o que você pagou ao longo da obra — porque agora carrega a margem que você não pagou lá no início.

Essa diferença é onde está o ganho.


Por que o preço de custo é tão menor?

No modelo tradicional de incorporação, a construtora compra o terreno, financia a obra, assume todos os riscos e lucra com a diferença entre o custo e o preço de venda. Essa margem de lucro, que normalmente fica entre 20% e 30% do valor do empreendimento, está embutida no preço que você paga quando compra na planta ou pronto.

No modelo SPE a preço de custo, você elimina esse intermediário. Você é o incorporador. Você e os outros cotistas são os donos do negócio. Não há margem de terceiros — só o custo real da obra.

Vou te dar um exemplo concreto. Em um dos nossos empreendimentos em Florianópolis, o metro quadrado na SPE estava sendo comercializado a R$ 12.000. O metro quadrado equivalente, em um imóvel já incorporado na mesma região, estava a R$ 18.000.

Isso significa que mesmo que o mercado ficasse completamente parado — sem valorização nenhuma — o investidor que entrou na SPE já havia garantido um ganho de 50% sobre o preço de custo só pela diferença de preço de entrada.


O imóvel tem duas valorizações que se acumulam

Esse é o ponto que poucos percebem quando analisam o investimento imobiliário.

Um imóvel gera rentabilidade de duas formas diferentes, e elas se acumulam ao longo do tempo:

1. Valorização do próprio imóvel: o valor de mercado do imóvel cresce ao longo dos anos, especialmente em regiões bem localizadas e com crescente demanda. Florianópolis, por exemplo, é uma das cidades com maior valorização imobiliária do Brasil nos últimos anos.

2. Renda de locação: durante o período em que o imóvel está alugado — seja locação de longa duração ou temporada — ele gera renda passiva. Essa renda, acumulada ao longo do tempo, somada à valorização, supera historicamente qualquer investimento financeiro de renda fixa.

Quando você entra em uma SPE a preço de custo, você começa essa equação com uma vantagem: já entrou com um desconto de 20% a 30% em relação ao preço de mercado. Sua base de cálculo já é menor — e o retorno sobre o capital investido, consequentemente, é maior.


Para quem esse investimento faz sentido

Ao longo dos anos, aprendi a identificar três perfis de investidores que se encaixam bem no modelo SPE:

O investidor estratégico: tem capital disponível, compara com CDB, fundos imobiliários e ações, e toma decisões baseadas em números. Para esse perfil, o argumento principal é a rentabilidade acumulada — valorização mais renda passiva — que historicamente supera os investimentos financeiros tradicionais, especialmente no longo prazo.

O formador de patrimônio: quer construir patrimônio real para a família, seja um segundo imóvel, uma renda futura ou uma reserva para os filhos. Para esse perfil, a segurança jurídica da SPE — terreno em nome da sociedade, transparência total, assembleias periódicas — é o argumento mais poderoso.

O investidor de primeira viagem: juntou uma reserva e quer fazer o dinheiro trabalhar, mas ainda tem insegurança. Para esse perfil, é importante entender que o risco na SPE é limitado ao capital integralizado — o patrimônio pessoal não se mistura com a estrutura jurídica do empreendimento.


Quando NÃO vale a pena investir em imóvel a preço de custo

Preciso ser honesto aqui também.

Se você precisa de liquidez no curto prazo, esse não é o investimento certo. Uma SPE leva entre 3 e 5 anos para ser concluída, às vezes mais. O capital fica comprometido durante esse período. Se você pode precisar resgatar o dinheiro em 12 ou 18 meses, existe instrumentos financeiros mais adequados para esse momento.

Se você não quer acompanhar o processo, pode ser frustrante. A SPE é um modelo transparente — você recebe relatórios, participa de assembleias, acompanha a obra. Para quem quer só “depositar e esquecer”, esse nível de envolvimento pode ser maior do que o esperado.

Se o projeto não for bem estruturado, o risco é real. Não é o modelo SPE que garante segurança — é a qualidade da gestão. Um projeto mal administrado, com prestação de contas opaca e sem histórico comprovado, é risco independente do modelo jurídico.

Por isso, antes de investir em qualquer SPE, verifique: quem administra? Qual o histórico de empreendimentos entregues? Como é feita a prestação de contas? As assembleias são realizadas regularmente?


O que aprendemos com o DUO Jurerê

O DUO Jurerê foi um dos projetos mais desafiadores e mais recompensadores da história do Grupo Maier. Foram R$ 77 milhões movimentados, 28 unidades entregues e 4,5 anos de execução.

No meio do caminho, houve uma chamada de capital adicional de 9,6%. Comunicamos aos cotistas, explicamos os motivos, e seguimos em frente com total transparência. Esse episódio nos ensinou a calibrar melhor as estimativas de custo nos projetos seguintes.

Os apartamentos que no início eram comercializados com uma projeção de R$ 5 milhões na entrega chegaram exatamente nesse valor. A leitura de mercado estava correta. Os cotistas que ficaram no projeto até o fim colheram os resultados.

Esse é o tipo de trajetória que o modelo SPE pode proporcionar — com paciência, com gestão séria e com visão de longo prazo.


A comparação com o investimento financeiro

Uma dúvida muito comum: “Meu dinheiro está rendendo bem no banco. Por que migrar para imóvel?”

É uma pergunta legítima. A renda fixa no Brasil rende bem — e isso é real.

Mas o ponto é outro. O investimento imobiliário a preço de custo não compete apenas com a taxa de juros atual. Ele compete com a taxa de juros futura, com a inflação que corrói o poder de compra, e com a ausência de um ativo real que se valorize de forma independente da política monetária.

Além disso, o imóvel tem uma característica que nenhuma aplicação financeira tem: ele existe fisicamente. Você pode morar nele, alugar, vender, usar como garantia. Essa tangibilidade tem valor — especialmente para famílias que querem construir patrimônio geracional.

O investidor que tem apenas renda fixa tem liquidez. O investidor que tem imóvel a preço de custo tem patrimônio que cresce em duas frentes ao mesmo tempo.


Conclusão: vale a pena, com as condições certas

Investir em imóvel a preço de custo vale a pena quando:

  1. Você tem horizonte de médio e longo prazo (mínimo 3 anos)
  2. Você quer construir patrimônio real com valorização comprovada
  3. Você escolhe um projeto com gestão transparente e histórico de entrega
  4. Você entende que o risco existe — e está limitado ao capital integralizado
  5. Você quer eliminar a margem do incorporador e ficar com esse ganho para si

Se essas condições se aplicam ao seu momento, o modelo SPE é um dos investimentos mais sólidos e rentáveis que existem no mercado imobiliário brasileiro.

Se quiser conversar sobre os projetos disponíveis hoje e entender se faz sentido para o seu perfil, entre em contato. Não vendo para todo mundo — prefiro fazer o encaixe certo do que fechar uma venda errada.

Paulo Maier é empreendedor imobiliário e fundador do Grupo Maier, especializado em empreendimentos SPE a preço de custo em Florianópolis e região. Já estruturou e administrou mais de R$ 500 milhões em projetos imobiliários.