Morar junto voltou a ser opção, e o mercado imobiliário ainda não entendeu o tamanho disso

Durante décadas, o roteiro estava estabelecido: você termina a faculdade, começa a trabalhar, aluga um apartamento e parte para a vida independente.

Morar junto voltou a ser opção, e o mercado imobiliário ainda não entendeu o tamanho disso

Por Paulo Maier

Durante décadas, o roteiro estava estabelecido: você termina a faculdade, começa a trabalhar, aluga um apartamento e parte para a vida independente. Morar com os pais depois dos 25 era visto como fracasso. Uma situação provisória, constrangedora, que se resolvia assim que possível.

Esse roteiro está sendo reescrito.

Não por necessidade econômica — embora o custo de moradia seja um fator real. Mas por uma mudança cultural mais profunda, que os dados já confirmam e que o mercado imobiliário ainda está aprendendo a ler.

O que os números estão dizendo

Um estudo recente da Realtor.com registrou um recorde histórico: 25,2 milhões de adultos abaixo de 35 anos morando com os pais nos Estados Unidos em 2025. Isso representa 33% dessa faixa etária — mais do que em qualquer outro momento registrado, incluindo o pico da pandemia.

A Associação Nacional de Corretores dos EUA (NAR) confirmou a tendência pelo lado da compra: 17% de todos os imóveis adquiridos em 2024 foram residências multigeracionais, o maior percentual da história. Em 2015, apenas 11% dos compradores apontavam filhos adultos voltando para casa como motivo de compra. Em 2024, esse número chegou a 21% — quase o dobro em menos de uma década.

O que mais chama atenção não é o tamanho do número — é a mudança de percepção por trás dele. O mesmo estudo mostra que 20% dos entrevistados em 2024 declararam que seus filhos adultos nunca saíram de casa — não por incapacidade, mas por escolha. Em 2015, esse índice era de apenas 7%.

Não estamos falando de uma geração que não conseguiu se virar. Estamos falando de uma geração que decidiu que morar junto faz mais sentido.

Por que isso está acontecendo — e por que agora

Há pelo menos três forças convergindo ao mesmo tempo.

A primeira é econômica. O custo de moradia disparou em praticamente todas as grandes cidades do mundo. Para uma geração que começou a vida adulta em meio a crises, morar com a família enquanto constrói patrimônio próprio é uma decisão racional — não um sinal de fracasso.

A segunda é cultural. A pandemia forçou famílias ao convívio intenso e, paradoxalmente, muitas descobriram que gostaram. O distanciamento físico que a modernidade havia criado entre gerações revelou um custo emocional que antes era invisível. Avós que ficaram meses sem ver netos. Pais que não conheceram os primeiros passos dos filhos porque moravam em cidades diferentes. Quando o mundo voltou a se mover, parte das pessoas decidiu não recriar essa distância.

A terceira é demográfica. A geração que hoje tem entre 45 e 60 anos — a Geração X, chamada nos EUA de “geração sanduíche” — está simultaneamente cuidando de pais idosos e apoiando filhos adultos. Essa posição no meio do mapa familiar cria uma demanda natural por proximidade física. Não necessariamente a mesma casa — mas o mesmo endereço, ou pelo menos o mesmo andar.

O que é uma moradia multigeracional na prática

A confusão mais comum é imaginar que moradia multigeracional significa família inteira espremida num apartamento pequeno. Não é isso.

O conceito moderno de moradia multigeracional é sobre proximidade com autonomia.

Pode ser:

  1. Dois apartamentos no mesmo andar, com plantas que permitem circulação interna ou acesso facilitado
  2. Um studio adjacente à unidade principal, onde um filho adulto tem independência mas está a metros dos pais
  3. Uma cobertura ou garden de metragem maior, onde múltiplos núcleos familiares convivem com espaços claramente delimitados
  4. Unidades em andares diferentes do mesmo empreendimento, com áreas comuns que funcionam como espaço de convívio compartilhado

O denominador comum é: família próxima, sem abrir mão de privacidade.

O que o mercado imobiliário brasileiro ainda não percebeu

No Brasil, essa tendência está chegando com alguns anos de atraso em relação aos EUA — mas está chegando. E o mercado imobiliário, em sua maioria, ainda está olhando para o lado errado.

A maioria dos empreendimentos de alto padrão lançados nos últimos anos foi concebida para um perfil muito específico: casal sem filhos, ou família nuclear pequena. Studios para investidor, apartamentos de 2 quartos para jovem casal, cobertura para executivo. A lógica do produto não contempla o grupo familiar ampliado.

Quem quiser comprar dois apartamentos no mesmo empreendimento para morar próximo os pais ou dos filhos costuma encontrar dificuldades: plantas que não dialogam, andares que não se conectam, projeto que não foi pensado para esse uso.

Esse gap é uma oportunidade.

Como o Terrá Jurerê responde a essa demanda

Quando concebemos o Terrá Jurerê, uma das perguntas que orientou o projeto foi: como esse empreendimento pode funcionar para famílias que querem proximidade sem perder autonomia?

A resposta está na diversidade de tipologias e na possibilidade de unificação de plantas.

O Terrá oferece apartamentos de 1 dormitório com sacada e churrasqueira a partir de 47 m2, apartamentos de 2 dormitórios entre 70 m2 e 115 m2, unidades de 3 suítes a partir de 130 m2, e gardens e coberturas que chegam a 324 m2. Essa amplitude não é acidental — ela permite que uma família estruture sua moradia de formas que um empreendimento convencional não oferece.

Um filho adulto pode adquirir um apartamento de 1 dormitório com sacada e churrasqueira no mesmo empreendimento onde os pais têm um apartamento de 3 suítes. Um casal pode comprar duas unidades adjacentes e unificá-las para criar um espaço que acomoda avós, filhos e netos com privacidade para cada núcleo. Uma família pode distribuir-se por

diferentes andares e usar as áreas comuns — o salão social, a área externa, a piscina — como espaço de convívio compartilhado.

E o conceito de Wellness Living que fundamenta o projeto reforça exatamente o que a moradia multigeracional precisa: espaços que funcionam para todas as gerações ao mesmo tempo. A área kids para os netos, o jardim meditativo para os pais, a piscina térmica para os avós, o workspace para quem ainda está na vida ativa.

O que isso significa para o mercado

Tendências demoram para virar produto. O mercado imobiliário é lento por natureza — ciclos longos, projetos que levam anos para sair do papel. Quando uma tendência comportamental emerge, os empreendimentos que a capturam primeiro saem na frente porque a demanda já existe antes da oferta.

A moradia multigeracional é uma dessas tendências. Os dados nos EUA são claros. A lógica cultural — proximidade com autonomia — ressoa no Brasil. E os empreendimentos que oferecem tipologias flexíveis, possibilidade de unificação e espaços comuns que funcionam para múltiplas gerações têm uma vantagem real sobre os que foram concebidos para o perfil padrão.

Não porque seguiram uma tendência. Porque fizeram as perguntas certas antes de desenhar o projeto.


Paulo Maier é idealizador do Terrá Jurerê · Wellness Living e fundador do Grupo Maier e da Planner Empreendimentos. Estruturou mais de R$ 700M em empreendimentos SPE em Florianópolis.