Se você está pensando em seguir carreira como corretor, ou já atua na área e quer entender melhor de onde vem seu dinheiro, este artigo é para você.

A comissão é a base da remuneração de todo corretor de imóveis no Brasil. Mas poucos profissionais conhecem com clareza os percentuais corretos, quem de fato paga, como essa comissão é dividida quando há imobiliária envolvida — e o que muda quando se trabalha com lançamentos e SPE.

Vamos a todos esses pontos, com números reais do mercado de Florianópolis.


O que é a comissão do corretor de imóveis

A comissão é a remuneração recebida pelo corretor de imóveis pela intermediação bem-sucedida de uma transação — seja uma venda, uma locação ou uma permuta.

Ela é calculada como um percentual sobre o valor total do negócio. Não há salário fixo obrigatório: na maioria dos casos, o corretor só recebe quando a transação é concluída.

Esse modelo tem dois lados. Por um lado, o teto de ganho é ilimitado — quanto maior o ticket do imóvel, maior a comissão. Por outro, exige disciplina e método para garantir previsibilidade de renda.


Tabela de comissão do CRECI-SC: os percentuais em Santa Catarina

As comissões são regulamentadas pelos CRECIs estaduais. Em Santa Catarina, o CRECI-SC estabelece os seguintes percentuais de referência:

Tipo de imóvel / operaçãoComissão mínima (SC)Observação
Imóvel urbano residencial (venda)6%Percentual mais comum no mercado
Imóvel urbano comercial / industrial (venda)6% a 8%Varia conforme negociação
Imóvel rural (venda)6% a 10%Menor liquidez, maior comissão
Venda judicial5%Por determinação de tribunal
Locação (1ª locação)Equivale a 1 aluguelPago pelo locador (proprietário)
Locação de temporada (até 90 dias)30% do valorAlta demanda em Florianópolis
Administração de imóvel8% a 10% sobre o aluguelReceita recorrente mensal

Esses percentuais são referências regulamentadas — não são valores máximos gravados em pedra. Na prática, incorporadoras e imobiliárias podem negociar condições específicas, especialmente em lançamentos de grande porte.


Quem paga a comissão: o comprador ou o vendedor?

Essa é uma das dúvidas mais comuns — e a resposta pode surpreender quem está começando.

Por padrão, no mercado imobiliário brasileiro, a comissão é paga pelo vendedor (o proprietário do imóvel). É ele quem contratou o corretor para intermediar a venda.

Na prática, porém, o valor da comissão já está embutido no preço de venda. O comprador não vê essa linha no contrato, mas ela impacta diretamente o preço que ele paga.

E nos lançamentos?

Em empreendimentos na planta — incluindo os modelos SPE (Sociedade de Propósito Específico) que operam em Florianópolis — a comissão é paga pela incorporadora. O corretor que vende uma unidade no lançamento recebe da empresa responsável pelo projeto, não do comprador.

Isso é importante: em um empreendimento de alto padrão em Jurerê ou Agronômica, trabalhar com lançamentos significa ter acesso a tickets altos e comissões pagas pela incorporadora, sem negociar diretamente com o cliente sobre esse valor.


Como a comissão é dividida: corretor vs. imobiliária

Na maioria das transações, a comissão não vai inteiramente para o corretor. Quando há uma imobiliária ou incorporadora envolvida, o valor é compartilhado.

O modelo mais comum no mercado de Florianópolis funciona assim:

Modelo de trabalhoO que o corretor recebeO que fica com a empresa
Corretor autônomo100% da comissão— (sem empresa)
Vinculado a imobiliária (modelo A)40% a 50%50% a 60%
Vinculado a imobiliária (modelo B)Salário fixo + comissão reduzidaMaior parte da comissão
Corretor parceiro de incorporadoraPercentual acordado (varia)Depende do contrato

Não existe certo ou errado entre esses modelos — cada um tem vantagens e desvantagens dependendo do momento da carreira do corretor.

• O autônomo ganha mais por transação, mas arca sozinho com todos os custos de prospecção, marketing e leads.

• O vinculado a imobiliária tem estrutura, carteira de imóveis e suporte jurídico, mas divide a comissão.

• O parceiro de incorporadora trabalha com tickets altos, comissão garantida pela empresa e acesso a produtos exclusivos — esse tende a ser o modelo de maior rendimento em Florianópolis para quem domina lançamentos e SPE.


Simulações reais com valores de Florianópolis

Veja como os percentuais se traduzem em valores concretos no mercado imobiliário de Florianópolis:

Imóvel / BairroValor da vendaComissão (6%)Corretor recebe (50%)Corretor recebe (100%)
Apto médio padrão – CentroR$ 500.000R$ 30.000R$ 15.000R$ 30.000
Apto novo – AgronômicaR$ 900.000R$ 54.000R$ 27.000R$ 54.000
Apto alto padrão – Beira-Mar NorteR$ 1.500.000R$ 90.000R$ 45.000R$ 90.000
Unidade em Jurerê InternacionalR$ 2.000.000R$ 120.000R$ 60.000R$ 120.000

Uma única venda de alto padrão em Jurerê pode representar, para o corretor vinculado, mais do que muitos profissionais ganham em três ou quatro meses de trabalho. Para o autônomo com acesso ao produto certo, o rendimento por transação pode chegar a R$ 120.000.

Esse é o potencial do mercado imobiliário de Florianópolis para quem escolhe o nicho certo e domina o produto que vende.


A comissão pode ser negociada?

Tecnicamente, sim. Os percentuais do CRECI são referências, não valores obrigatórios fixados por lei. Na prática, porém, há algumas regras não escritas que o corretor experiente conhece:

• Baixar a comissão para fechar negócio é um sinal de inexperiência — e começa a criar um precedente ruim com clientes e imobiliárias.

• Incorporadoras de lançamentos raramente negociam o percentual do corretor para baixo. A comissão é parte do custo de venda do empreendimento.

• O que se negocia é o prazo de pagamento e as condições — não o percentual.

O corretor que entrega valor — que conhece o produto, qualifica o cliente e conduz o processo com segurança — raramente precisa abrir mão da comissão para fechar. Quem precisa negociar para baixo está sinalizando que não tem argumento suficiente.


O que muda nos empreendimentos SPE e lançamentos

Florianópolis tem uma característica relevante: parte significativa do mercado de alto padrão opera no modelo SPE — Sociedade de Propósito Específico — com estrutura de preço de custo.

Nesses empreendimentos, a dinâmica da comissão tem algumas particularidades:

• A comissão é paga pela incorporadora (SPE), não diretamente pelo comprador.

• O percentual é acordado previamente no contrato de parceria entre a SPE e o corretor ou imobiliária parceira.

• O pagamento pode ser parcelado ao longo das entradas do cliente, ou pago à vista no ato da assinatura do contrato — dependendo do modelo do empreendimento.

• Corretores parceiros têm acesso a material técnico, treinamento e suporte da incorporadora, o que aumenta a taxa de conversão.

Para o corretor que domina SPE — sabe explicar o modelo, entende o preço de custo e conhece o perfil do investidor — esses empreendimentos representam o maior potencial de renda do mercado de Florianópolis.


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Conclusão

A comissão do corretor de imóveis não é um número fixo — é uma estrutura que varia conforme o tipo de imóvel, o estado, o modelo de trabalho e o mercado em que o profissional atua.

Em Florianópolis, onde o ticket médio está entre os mais altos do Brasil, entender essa estrutura não é apenas uma questão técnica. É uma questão estratégica: o corretor que escolhe os produtos certos e domina o processo de venda pode transformar uma ou duas transações por mês em uma renda de alto padrão.

O percentual é o mesmo para todos. A diferença está em qual produto você vende — e em quanto você conhece ele.


Paulo Maier

Multi-empresário, Business Coach e fundador da EVC — Escola de Vendas de Corretores. Atua no mercado imobiliário de Florianópolis e já movimentou mais de R$ 600 milhões em empreendimentos.